A “pílula do exercício” pode substituir a atividade física no futuro?

Parece assunto de ficção científica, mas já está acontecendo. Um grupo de cientistas norte-americanos divulgou uma pesquisa com novos avanços rumo ao desenvolvimento de uma droga experimental que pode trazer os mesmos resultados dos exercícios físicos. No entanto, isso não quer dizer que devemos desistir das atividades físicas!

Mais do que substituir o exercício regular no caso de quem prefere levar uma vida sedentária, a substância poderia melhorar o desempenho de quem já se exercita. Em testes clínicos, o remédio permitiu que camundongos fossem capazes de correr em uma esteira durante 270 minutos antes da exaustão, um valor 40% maior em relação aos que não tomaram a droga (este conseguiram correr por 160 minutos). O estudo é comandado pelo biólogo Ronald Evans,especialista em hormônios, do Salk Institute, em San Diego (EUA).

Além do auxílio na resistência, a pílula se mostrou eficiente na melhora da saúde a médio prazo das cobaias. Os ratos que usaram a droga por dois meses (oito semanas) perderam peso e tiveram um controle melhor dos níveis de açúcar, levando a crer que o remédio também poderia ser capaz de ajudar pessoas com diabetes.

Todas essas benesses abrem espaço para descobertas mais profundas, em termos moleculares, sobre como funciona a resistência física e por que o esporte faz bem para a saúde.

De acordo com os pesquisadores, o medicamento é capaz de funcionar como se fosse um reprogramador muscular, alterando o comportamento do músculo de contração rápida (usado em explosões de velocidade) para um de contração lenta (que não se cansa facilmente). Entre os genes que ficaram mais ativos, encontravam-se os relacionados à quebra e a queima de gordura. Por outro lado, outros foram suprimidos, como aqueles que convertem açúcar em energia.

Apesar das descobertas serem interessantes do ponto de vista científico, ainda serão necessários diversos testes antes que esse tipo de droga chegue ao mercado. “Da pesquisa básica para se chegar a algo mais prático é um passo muito maior. É preciso testar não só os benefícios, mas também os efeitos colaterais“, ressalta Paulo Zogaib, fisiologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista ao portal de notícias UOL.

Ou seja, embora pareça revolucionária, a “pílula do exercício” pode sim auxiliar pessoas que sofrem com doenças como diabetes ou que têm mobilidade reduzida e não conseguem praticar atividades físicas. Porém, não há previsão de quando a droga começará a fazer parte do dia a dia. Por isso, em vez de ficar parado esperando esse dia, o ideal é encontrar o exercício físico que mais se adequa ao seu gosto e sua necessidade e praticá-lo regularmente desde já!

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